HBO Max confirma remake de ‘Pai Herói’. Nenhuma novela de Janete Clair que ganhou segunda versão teve sucesso. Veja!

Exibida em 1979 pela Globo, a novela de Janete Clair será revisitada por sua neta, Renata Dias Gomes. 2023 marca os 40 anos da morte de Janete Clair. Desde então, ao menos outras cinco obras da autora foram readaptadas para a TV e nenhuma obteve bons resultados. De todas, talvez a mais bem sucedida seja “O Astro”, de 2011, que chegou a receber o Emmy de Melhor Novela e atingiu uma audiência razoável. As demais, tanto exibidas pela Globo como pelo SBT, fracassaram.

O dia 16 marcou os 40 anos sem Janete Clair (1925-1983). E ainda nesta última semana, a HBO Max confirmou que fará um remake de uma obra clássica da escritora, a novela “Pai Herói“, que será escrita pela sua neta Renata Dias Gomes. Exibida pela Globo em 1979 e com grande sucesso, a trama da autora esteve cotada para ser readaptada pelo SBT no final da década de 2010, contudo acabou não recebendo uma nova versão. Sem dúvida, Janete Clair é um dos maiores nomes da teledramaturgia, e suas novelas repercutem até hoje. Foram fenômenos de audiência. É dela, inclusive, a marca dos 100% de ibope, quando da transmissão de “Selva de Pedra” (1972). Mas, toda tentativa de se refazer as novelas da Nossa Senhora das Oito – um dos apelidos que a autora recebeu – não deram certo.

As histórias bem-sucedidas foram apenas aquelas nas quais ela própria resgatou uma trama sua da época das radionovelas – caso de “Pai Herói”, adaptada de “Um Estranho na Terra de Ninguém” transmitida pela Rádio Nacional em 1958. A sinopse da radionovela é o que servirá de base para a HBO Max. Outra exceção é “Direito de Amar“, adaptada por Walther Negrão em 1987, do original “A Noiva das Trevas“. O folhetim de 1987 ganhará, em breve, uma reexibição no Viva.

Cinco obras de Janete Clair foram adaptadas e chegaram à TV. De todas, talvez a mais bem sucedida seja a releitura de “O Astro“, que conseguiu repercussão, solidificou o horário das onze e ganhou o Emmy de Melhor Novela, ainda que não tenha sido uma explosão de audiência. As demais, incluindo aí um remake feito pelo SBT, naufragaram.

Pecado Capital” teve uma briga intensa entre os protagonistas Carolina Ferraz e Francisco Cuoco, que acabou havendo a necessidade de se incluir uma nova atriz para fazer par romântico com ele –  e fazendo, assim, que houvesse um personagem que nunca existiu na versão original. “Selva de Pedra” de 1986 foi duramente criticada em sua atualização, tanto por sugerir um romance lésbico entre duas personagens, como pela escolha de Fernanda Torres como protagonista. A experiência foi tão traumática que Torres nunca mais fez uma novela completa. “Irmãos Coragem” também enfrentou vários contratempos, inclusive conceituais. Luiz Fernando Carvalho deixou a novela no meio – tanto por estar comprometido com “O Rei do Gado“, como por insatisfação do marido de Janete, Dias Gomes (1922-1999) e o adaptador da nova versão Marcílio Moraes. “Vende-se Um Véu de Noiva” foi outro fracasso e arrastou para baixo os índices de audiência do SBT. Veja!

Eduardo Moscovis em “Pecado Capital”. Novela de 1998 fracassou em audiência (Foto: Arquivo/Globo)

O Astro (2011)

De todas as novelas adaptadas após a morte de Janete Clair, talvez a versão de “O Astro“, escrita por Alcides Nogueira e Geraldo Carneiro seja a mais bem sucedida. Ainda que não tenha sido um estouro de audiência, a meta de Ibope foi superada e a Globo acabou por investir em outras novelas para esta faixa de horário. Não foi um grande sucesso mas também não foi um fracasso homérico, caso das outras tramas. Vale ressaltar que “O Astro” também recebeu o Emmy Internacional de Melhor Novela. A trama, contudo, acabou sendo eclipsada pelo tempo. Doze anos depois de sua exibição nunca foi reprisada e não é costumeiramente lembrada, senão por ser o último trabalho relevante de Regina Duarte nas novelas e pelas indisposições entre o casal de protagonistas Rodrigo Lombardi e Carolina Ferraz.

Rodrigo Lombardi em “O Astro”. Novela de Janete Clair que teve melhor sorte ao ser adaptada (Foto: divulgação/Globo)

Vende-se Um Véu de Noiva (2009)

Adaptada por Íris Abravanel e inspirada na rádio-novela homônima, “Vende-se um Véu de Noiva” foi exibida pelo SBT em 2009. O mesmo ponto de partida para esta trama deu origem à novela “Véu de Noiva” (1969), da Globo. A versão exibida na Globo foi um grande sucesso e solidificou a imagem de Regina Duarte à emissora carioca, já que ela era muito identificada ao público paulistano. A novela do SBT, contudo, fracassou em audiência e afundou a faixa. A estreia da novela marcou cinco pontos de audiência, e ela chegou a apontar 3. Sua média final foi de 4. Abaixo dos 10 pontos inicialmente pensados.

Nando Rodrigues Thais Pacholek em “Vende-se um Véu de Noiva” (Foto: Divulgação/SBT)

Selva de Pedra (1986)

Exibida em 1986, “Selva de Pedra” padeceu um tanto da “maldição da sucessora“. A novela entrou no lugar de “Roque Santeiro“, absoluto sucesso exibido às 21h. Como a Globo queria manter os bons resultados da novela, escolheu refazer um arrasa-quarteirão, “Selva de Pedra“, que em 1972 gabaritou a audiência. Porém, o dilema da atualização começou já na escolha da protagonista. Várias foram as atrizes cotadas, inclusive Lucélia Santos, mas o papel acabou ficando com Fernanda Torres, estreando como protagonista. A escolha não foi acertada, já que a atriz não deu-se bem com o papel e parecia muito jovem para viver Simone Marques/Rosana Reis. O trauma foi tamanho que Torres nunca mais fez uma novela inteira. Walter Avancini (1935-2001) começou dirigindo a trama com uma estética mais cruenta e, também, sugeriu que haveria um romance lésbico entre as personagens de Beth Goulart e Christiane Torloni, o que acabou gerando o seu desligamento da obra, que teria outros dois diretores gerais – Dennis Carvalho e a dupla José Carlos Pieri e Ricardo Waddington. Como os índices de audiência naquele meado dos Anos 1980 são divergentes, assim como a meta estimada pela casa, é difícil apontar assertivamente os números. Mas “Selva” foi exibida entre dois fenômenos: “Roque Santeiro” e “Roda de Fogo“. Entre as três é a menos aclamada. Fora isso, não costumava figurar entre as novelas mais vistas do Viva quando foi exibida pelo canal. E, sem sobra de dúvida, repecutiu bem menos que a original.

Fernanda Torres e Tony Ramos em “Selva de Pedra”, 86 (Foto: Nelson di Rago/Globo)

Pecado Capital (1998)

Em 1998 a Globo, sob gestão de Marluce Dias da Silva, cogitou fazer alguns remakes de obras clássicas para o horário das 18h. “Pecado Capital” e “Dancin’ Days” chegaram a ser oficializadas, mas apenas a primeira saiu do papel. Cercada de expectativas, a atualização feita por Glória Perez, que havia sido colaboradora de Janete, decepcionou na audiência e derrubou em dois pontos a meta do horário, que era de 30. Fora isso, tornaram-se públicas as brigas entre Carolina Ferraz e Francisco Cuoco, o que obrigou a uma intervenção da casa, que escalou Vera Fischer como par romântico de Cuoco. Fora isso, a trama de 1998 esteve por duas vezes cotada de ser reexibida no Viva e os telespectadores acabaram por “derrubar” as reexibições, de modo que a novela até hoje não mais foi revista e cogita-se que entrará para o Globoplay.

Pecado Capital, de 1998. Brigas entre Francisco Cuoco e Carolina Ferraz ganharam mais força que a trama, de audiência pífia (Foto: TV Globo)

Irmãos Coragem (1995)

Irmãos Coragem” em sua versão original, de 1970, é até hoje uma novela aclamada. Passados 53 anos de sua transmissão, entrará em breve no Globoplay, conforme nos antecipou com exclusividade o diretor da plataforma, Erick Brêtas. Em 1995, para comemorar os seus 30 anos, a Globo optou por fazer uma nova versão da trama de Janete Clair. O erro já começou na data da estreia, dia 02/01. Via de regra, a emissora adota que o período das festas de fim ou início de ano não são um bom momento para estrear novelas. Colabora também, o fato de ser uma trama adequada paara as 20h e não para as 18h. O bangue-bangue caboclo de “Irmãos” não se adequou àquela faixa habituada a romances água com açucar. A novela teve média de 32 pontos de média. Sua antecessora, “Tropicaliente”, 39. E a que a sucedeu, “História de Amor“, 35.

Marcos Winter foi o jogador de futebol Duda, em “Irmãos Coragem” (1995) [Foto: Divulgação)

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