Outono chegando, e com ele o terror dos pais de crianças pequenas: a Bronquiolite!
Mas afinal, que doença é essa, e por que ela aterroriza tanto as famílias?
Trata-se de uma infecção viral, que leva a uma inflamação das vias aéreas inferiores, ou seja, brônquios e bronquíolos (os canais que conduzem o ar para os pulmões). Ela é a principal causa de mortalidade em bebês além do período neonatal.
Acontece principalmente em bebês abaixo de 2 anos e, mais frequentemente, nos menores de 1 ano. É causada pelos vírus respiratórios, como o vírus sincicial respiratório (VSR), metapneumovírus, rinovírus, adenovírus, parainfluenza e influenza. O mais frequente é o VSR (responsável por 80% das bronquiolites). Esses vírus são os mesmos que causam resfriado nas crianças maiores e adultos.
São vírus muito contagiosos e a sua transmissão acontece principalmente através do contato direto com secreções respiratórias, geralmente nas mãos e objetos contaminados.
Segundo a Academia Americana de Pediatria, a bronquiolite é a causa mais comum de hospitalização em lactentes durante os primeiros 12 meses de vida. Aproximadamente 100.000 internações por bronquiolite ocorrem anualmente nos Estados Unidos. No mundo é responsável por dois a três milhões de hospitalizações e aproximadamente entre 60.000 a 120.000 mortes em crianças menores de cinco anos anualmente, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria.
Sintomas da bronquiolite:
- Coriza,
- Febre,
- Chiado no peito,
- Tosse,
- Dificuldade para respirar,
- Sonolência
- Gemência
- Cianose
A maioria das crianças melhora em cerca de 1 semana, mas em outras, a evolução é mais lenta. Mas as crianças mais novas (menores de um ano), os prematuros, os portadores de doenças cardíacas, os portadores de doença pulmonar crônica (broncodisplasia), os imunodeficientes e os bebês que nascem com baixo peso estão no grupo daqueles que possuem maior risco de desenvolver quadros de bronquiolite mais graves, necessitando de internação, por vezes em Unidade de Terapia Intensiva (UTI). E como prevenir?
-Evitar o contato dos bebês com crianças maiores e adultos resfriados.
- Evitar aglomerações
- Evitar o tabagismo passivo
- Manter o calendário vacinal atualizado
- Amamentação até pelo menos 2 anos de vida
- Acompanhamento pediátrico regular
- Se possível retardar ao máximo a ida dos bebês para creches e berçários
Afinal, existe ou não vacina?
Infelizmente ainda não temos vacina contra o vírus sincicial respiratório disponível para as crianças.
A Abrysvo®, é uma vacina que deve ser administrada em gestantes, visando a proteção do bebê em seus primeiros 5 meses de vida. De acordo com a SBIm (Sociedade Brasileira de imunização) ela deve ser administrada de rotina entre 32 e 36 semanas de gestação, a qualquer momento, independente da sazonalidade, até 14 dias antes do parto. Segundo a ANVISA, ela é licenciada para uso a partir da 24ª semana de gestação. Porém existem estudos que comprovam maior eficácia a partir da 28ª semana de gestação.
O Palivizumabe, ou Synagis®, não é uma vacina. Trata-se do Anticorpo monoclonal, que ao invés de estimular a produção de anticorpos, ele age diretamente contra o vírus sincicial respiratório. De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria, Atualmente no Brasil, seu uso está indicado para crianças menores de 1 ano, que nasceram prematuras, com idade gestacional menor de 29 semanas (28 semanas e 6 dias); crianças menores de 2 anos, portadoras de doença pulmonar crônica da prematuridade e que necessitaram de terapêutica (corticosteroides, broncodilatador, diuréticos, suplementação de oxigênio); crianças menores de 2 anos com cardiopatia congênita, com repercussão hemodinâmica, hipertensão pulmonar grave ou necessidade de tratamento de in suficiência cardíaca congestiva.
A dose recomendada é 1 aplicação uma vez por mês, por no máximo 5 meses, durante a sazonalidade do VSR, que é variável em diferentes regiões do Brasil. Apesar de seu alto custo, é disponibilizada no Sistema único de saúde (SUS) para os bebês que preenchem os critérios acima.
O Nirsevimabe ou Beyfortus®, também é um anticorpo monoclonal, que chegou no Brasil em 2025, tendo a vantagem de ser dose única e com custo bem abaixo do Palivizumabe. indicado para TODOS OS LACTENTES com até 12 meses de idade. Deve ser administrado um mês antes ou durante o primeiro período de maior circulação do Vírus Sincicial Respiratório (sazonalidade) após o nascimento do bebê, com possibilidade de alterações de acordo com a realidade epidemiológica local/regional.
A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou a inclusão do medicamento Nirsevimabe para bebês prematuros no seu Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde a partir de 03 de Fevereiro de 2025. Isso significa que deverá ter obrigatoriedade no sistema de saúde suplementar.
Os critérios de inclusão são:
Prematuros com idade gestacional < 37 semanas (36 semanas e 6 dias) e com idade inferior a 1 ano (até 11 meses e 29 dias) entrando ou durante sua primeira temporada do VSR e;
Crianças com idade inferior a 2 anos (até 1 ano, 11 meses e 29 dias) com a presença de doença pulmonar crônica da prematuridade (displasia broncopulmonar) ou doença cardíaca congênita com repercussão hemodinâmica demonstrada.
Lembrando que hoje ainda se encontra em fase de compra e início de distribuição. Muitos serviços hospitalares e clínicas de vacina estão com fila de espera para essa medicação.
Qual o tratamento da bronquiolite?
Não existe nenhum tratamento específico para bronquiolite. Na maioria dos casos, especialmente das crianças sem fatores de risco, a evolução do quadro é benigna, sem necessidade de nenhum tratamento medicamentoso, evoluindo para cura. Nos casos em que há necessidade de algum tipo de intervenção, a maior parte pode ser feita em casa, com acompanhamento da febre, observação do padrão respiratório e cuidados para manter o estado do bebê em termos de hidratação e nutrição em níveis adequados.
Em casos mais graves, a internação é necessária para que se possa fazer medidas de suporte como ofertar oxigênio, soro intravenoso, inalação, fisioterapia respiratória… A admissão em UTI para o suporte ventilatório adequado é rara, mas pode ocorrer em até 15% das crianças internadas.
Como não existe tratamento, o melhor remédio é sempre a PREVENÇÃO!
Nós pediatras comemoramos muito a chegada do nirsevimabe, pois os estudos mostraram uma redução do risco de internação pelo vírus sincicial em até 80%. Espero que muito em breve esteja disponível para todas as crianças.
Com carinho
Dra Ju
Por Dra Juliana de Rosis Dinato
@drajuped